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E quando não há solução prática?



Ninguém nasce prepara para aceitar não ter respostas , é o oposto, na verdade, somos ensinados a buscar por elas a fim de saber o que fazer. Vivemos em uma sociedade regulada pelo tempo, na qual quanto menos tempo emprega-se em algo então, mais terá para a próxima tarefa. Nesse sentido, por sua habilidade de permear o campo pessoal, o planejamento, a objetividade e o foco são balizadores da vida os quais não parece ser possível abrir mão. Assim, quando tratamos de questões relacionadas a sofrimentos, torna-se imperativo que, para este, seja encontrada uma razão e, principalmente, uma solução.


Não raro, durante o processo de análise existe a demanda por soluções práticas, direcionamentos de como agir "melhor". Aqui, uso prática tanto em seu sentido de facilidade quanto de atitude individual. Mas, e quando o que se depara em terapia é o campo do não saber? Não saber de onde vem e nem o que fazer. Talvez seja aí um dos lugares que trabalho do analista seja mais fértil. Não só no sentido de elaborar junto aos pacientes possibilidades de manejo daquele problema que parece emaranhado, mas também de construir um espaço em que o próprio sentir seja legítimo. Em que, antes de buscar soluções, o próprio afeto tenha espaço. Desse modo a psicologia abre caminho para a atenção e o acolhimento, em um campo ao qual não cabem soluções apressadas.

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